O HOMEM SOCIOTECNOLÓGICO
O
HOMEM SOCIOTECNOLÓGICO:
UMA NOVA NOMENCLATURA DA INTERAÇÃO SOCIAL DIANTE A PANDEMIA
Antônio Washington de Oliveira Júnior
Lucélia dos Santos Bezerra
CENÁRIO DA PANDEMIA DO
CORONAVÍRUS
A pandemia caracterizada pela
disseminação mundial de uma nova doença infecto contagiosa. Esta classificação
é utilizada quando uma epidemia apresenta uma grande escala de surto que atinge
uma região e se propaga por vários continentes com transmissibilidade
sustentada de sujeito para sujeito. Há mais de 121 países com casos declarados
da infecção provocados pelo coronavírus.
Para a OMS (Organização
Mundial de Saúde), o coronavírus não é definido como pandemia pela sua gravidade,
mas pela disseminação geográfica rápida que o vírus apresenta. Os coronavírus
pertencem a classificação de vírus que provocam infecções respiratórias que
variam de um resfriado a um quadro mais grave como a Síndrome Respiratória do
Oriente Médio (MERS) e a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS).
O coronavírus são comuns em
muitas espécies de animais, incluindo camelos, cães, gatos e morcegos, entre
outros. Recentemente, em dezembro 2019, houve a transmissão de um novo
coronavírus (SARS-CoV-2), onde foi identificado em Wuhan na China que provocou
a COVID-19, sendo disseminada e transmitida pessoa a pessoa, com uma rápida
capacidade contaminação.
Quanto a contaminação,
cientistas ainda investigam vários fatores científicos relacionados a este vírus.
Mas já é sabido, que a transmissão acontece através do contato com secreções
contaminadas, como gotículas de saliva, espirro, tosse e catarro, onde deve-se
evitar o contato pessoal próximo, como: toque, aperto de mão, abraço e manuseio
com objetos de superfícies contaminadas, além dos contatos com boca, nariz e
olhos.
Devido a toda essa explicação
sobre a pandemia, provocada pelo vírus, e que não poderíamos deixar de
esclarecer do que se trata tal enfermidade, e sua gravidade e características
de contágio. Desta forma, facilita a compreensão das justificativas e
argumentações que são usados no decorrer do texto que trata o assunto. Esse
vírus que invadiu o meio de comunicação, sistema de saúde, instituições de
educação, setor econômico mundial, trouxe muitos danos e prejuízos, onde o que
iremos abordar em especial será, as possibilidades de criar, “diante a pandemia
como pensar e desenvolver uma cultura de inclusão-diversidade com esse novo
homem”.
DESENVOLVER UMA CULTURA
TECNOLÓGICA DIANTE DA PANDEMIA
A
Educação Escolar
A cultura da educação escolar
e a tecnologia, não poderiam deixar de ser argumentados neste subcapítulo. As
escolas além de lidarem com a divisão social e econômica, dentro da mesma
proposta que é o educar, passaram também a reforçar as mesmas dificuldades, só
que agora diante de um senário que envolve os bens de consumo e serviço, como
por exemplo, produtos tecnológicos de alta qualidade assim como os de serviços.
Os serviços de fornecimento de
internet e a qualidade dos aparelhos como computadores, celulares, entre
outros, que foram os mais utilizados durante a comunicação entre as
instituições de vários segmentos, principalmente o de ensino, que teve que
lidar com a descoberta de questões socioeconômicas, de métodos de ensino a distância
que necessitariam de instrumentos tecnológicos a qual não era acessível a
todos, e que a democratização tecnológica era um equívoco.
Esse grande equívoco, custou
caro para uma grande maioria, que até então eram “invisíveis”. Pais, filhos, funcionários
e gestores, compartilhavam as mesmas dificuldades, a falta de aparelhos e
conhecimentos tecnológicos. Essa realidade para alguns países não foi problema,
mas para a maioria das escolas públicas que dependem da gestão do governo,
estados e municípios do Brasil, foi um verdadeiro desastre.
A tecnológica ganhou espaço em
vários setores, e sem dúvida esse segmento ganhará mais espaço nas escolas,
onde já se foi pensado quando criaram laboratórios de computação para a
capacitações de alunos, professores, funcionários e comunidade. Esses
investimentos antes já feitos, com certeza serão ampliados e condicionados de
forma interdisciplinar pelos professores. As aulas remotas passaram a ser uma
nova alternativa, visto que, os atendimentos educacionais EAD (Ensino a
Distância), já são autorizados por lei.
O artigo 32 § 4º que o ensino
a distância pode ser utilizado como complementação da aprendizagem ou em
situações emergenciais na educação fundamental. Já o § 11 do art. 36 da Lei nº
9.394, de 1996, alcança o ensino médio.
Por outro lado, o Art. 8º do
Decreto 9.057, de 2017, regulamenta a LDB e autoriza a realização de atividades
a distância no ensino fundamental, médio, na educação profissional, de jovens e
adultos e especial, desde que autorizada pelas autoridades educacionais dos
estados e municípios.
Acreditamos que se formou uma
cultura tecnológica de massa, vistos os grupos invisíveis que há, embora o ser
humano seja muito mais social do que tecnológico, ainda assim, as necessidades
comunicativas presenciais são vistas como uma condição, mas humanizada e
confiável. Não podemos deixar de considerar, que ainda as estratégias no que
concerne a inclusão tecnológica nos grupos de pessoas com deficiência; requerem
muito mais dos mediadores do que as maquinas, sendo ainda um grande desafio a
ser resolvido.
O
Homem Sociotecnológico
Ainda se discute a nível
acadêmico, sobre as novas gerações e suas habilidades, e também problemas
gerados por esta tecnologia, onde se apresenta um homem “sociotecnológico”,
integrado a uma relação tecnológica que não descaracteriza o caráter de ser
social, mas sim de um ser que precisa da tecnologia para se socializar com ele
mesmo e com o mundo.
O homem sociotecnológico,
termo cunhado pelos autores deste artigo, traz uma reflexão sobre a
ressignificação de valores e de práticas vividas durante essa pandemia,
enquanto se discutia os danos que a tecnologia estava causando, onde de um lado
educadores “fornados” em práticas que foram idealizadas para grupos homogêneos
onde não se considerava as diversidades, ou seja, uma formação em fornalhas.
Neste momento histórico que vivemos, vimos que
a socialização se dá hoje em sua maioria, por meio de comunicação das
Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs), essa expressão refere-se à
comunicação por meios de fios, cabos, ou sem fio, gerando a moderna tecnologia
da informação de hoje. As TICs consistem de vários meios tecnológicos usados
para tratar a informação e auxiliar na comunicação, onde se insere o hardware
de computadores, redes, telemóveis.
Sendo assim, as TIC consistem
em TI como outras formas de transmissão das tecnologias que medeiam os
processos informativos e comunicativos entre as pessoas. Podem ser
compreendidas como um conjunto de recursos tecnológicos integrados, que
facilitam, usando os hardware, software e telecomunicações, das pesquisas
científicas, no processo de ensino/aprendizagem, entre outros segmentos.
INCLUSÃO-DIVERSIDADE NA ESCOLA
DIANTE A PANDEMIA
O grande desafio para os
professores em tempos de pandemia é conseguir efetivar um trabalho que venha a
contemplar a todos, diante das barreiras do distanciamento social e usando os
meios de tecnologia.
Quando se pensa na diversidade
na escola vem em mente todos os grupos sociais sejam estes diversos por fatores
culturais, socioeconômicos ou por elementos decorrentes das limitações físicas
e/ou mentais, mencionamos o caso das pessoas com necessidades educacionais
específicas, aquelas com transtornos mentais, deficiências ou transtornos.
Acrescente-se aos elementos
supracitados ainda o fato de que, muitos dos alunos de grupos especiais têm
esta condição e também as dificuldades socioeconômicas que contribuem para sua
exclusão, uma vez que não detivessem nenhuma dificuldade física ou mental salutar,
mas tendo a questão financeira enquanto fatalidade latente em suas vidas. O
elemento econômico por si só já dá conta de excluir socialmente o suficiente
para dificultar e, por vezes, chegar a ter forças de impedir a efetivação de
uma educação de qualidade.
Falemos da escola pública na
qual os alunos em sua maioria tem acesso limitado aos recursos tecnológicos,
telefone celular e internet de qualidade, não é acessível a todos, nem a uma
parcela considerável. Os jovens, embora nativos digitais e tendo facilidade
para se adaptar, não tem o suficiente para conseguir assimilar o que é
necessário para que aprendizagem aconteça com sucesso.
A própria capacidade de
concentração para se manter atento a um formato digital de educação ainda não
está suficiente trabalhada, aí precisamos lembrar que a educação à distância
não é modalidade adaptável a todos. Acreditamos que permanecerá sendo, uma
forma que se apresenta enquanto alternativa para o ensino e aprendizado, a qual
alguns se adaptam e outros não.
No entanto, em tempos de
Pandemia como o que estamos vivendo, algo precisa ser feito para que os danos
não sejam maiores para os alunos, e a única forma encontrada pelas instituições
de ensino foi a educação a distância com os recursos tecnológicos de que
dispomos na atualidade, vídeo aulas, reuniões em salas virtuais, chats entre
outras formas que a criatividade permitir.
Mas existe um grande grupo à
margem para o qual, tais formas não conseguem amenizar os dados provocados pelo
momento atual, tratamos daqueles já marginalizados socialmente, aqueles que não
tem internet rápida, não tem computador ou celular disponível para acesso nos
horários em que os professores e turmas entram nas salas virtuais, não tem, no
caso das crianças, alguém que os auxilie na execução das atividades propostas
pelos professores.
Estes alunos estão sendo
prejudicados de maneira grandemente significativa face aos demais que tem um
acesso melhor aos meios de comunicação de modo geral. Ou seja, a inclusão
sempre existiu para aqueles que detém os recursos sociais para ser incluídos.
As pessoas com deficiências que possuem uma boa condição socioeconômica, sentem
suas dificuldades e limitações de modo mais leve que aquelas menos favorecidas.
Salutar dizer que para pessoas
com deficiências físicas a tecnologia sempre esteve a seu favor, recursos como,
por exemplo, programas de computador que fazem leituras de tela, leitores de
texto, escritores auditivos entre outros; tornam possível a uma pessoa com
deficiência visual ou até totalmente cega, conseguir concluir seus estudos, se
formando e sendo empregado, muitas vezes em cargos de destaque na sociedade;
dando como exemplo, os inúmeros nomes que já temos na área jurídica com
deficiência física e visual.
O mesmo se aplica as pessoas
Surdas, uma vez tendo acesso aos meios e profissionais necessários para
auxilia-los, muito pode ser alcançado em sua educação e adequação ao mercado de
trabalho.
Por isso argumentamos que o
maior desafio é amenizar as dificuldades daqueles socialmente favorecidos, este
é o desafio de todos os tempos e, em especial para este momento que estamos
vivenciando. A reflexão necessita estar pautada em maneiras de amenizar os
danos sofridos por aqueles que tem menos em todos os sentidos.
Para todos os envolvidos na
educação, é dever humano e social pensar juntos sobre o que fazer, para que os
alunos possam recuperar o período em que não estiveram fisicamente na escola,
formas de despertar seus interesses e também de mostrar a eles que ainda é
possível aprender, que existem maneiras para conseguir adquirir o que não
tiveram durante o isolamento e continuar assimilando, ressignificando suas
limitações de qualquer natureza, dificuldades e exclusões e seguindo rumo aos
seus objetivos, rumo ao direito de estar e viver no mundo, ao direito de ter e
de realizar seus sonhos.