terça-feira, 18 de agosto de 2020

CONHECENDO OS TEÓRICOS: COMENIUS, PESTALOZZI, MONTESSORI E CLAPAREDE

 

CONHECENDO OS TEÓRICOS: 

COMENIUS, PESTALOZZI, MONTESSORI E CLAPAREDE

 

Lucélia dos Santos Bezerra

  

APROXIMAÇÕES E DISTANCIAMENTOS DE COMENIUS

APROXIMAÇÕES

Suas ideias são defendidas na época em que existia o foco das revoluções protestantes, ele vem dizer que a religião poderia ser algo mais racional e seu pensamento em educação vem pautado na filosofia religiosa com pitadas de razão, entendendo que educação e religião são feitas para servir ao homem e não ao contrário. Traz a defesa da educação para todos enfocando o lugar da mulher enquanto igual, defende a escolarização dos gêneros, feminino e masculino, juntos ao contrário da prática daquela época. Defende que o homem só estaria plenamente formado aos trinta e três anos e depois trabalharia durante quatro horas, outras quatro seriam para formação e quatro para o lazer, o homem teria uma vida bastante produtiva e prazerosa. Defende a ideia de que tudo pode ser ensinado a todos sem exceção.  Sua teoria ainda é muito atual uma vez que a universalização da Educação só ocorreu no Brasil em 1998. Aproximou-se de muitos autores entre eles Pestalozzi e Montessori.

DISTANCIAMENTOS

No momento em que defende a educação para todos sem mencionar exceções ás mulheres, por exemplo, ele vai contra o pensamento da época que não permitia a muitos o direito a educação e separava os gêneros nos ambientes escolares. Acreditava que os gênios poderiam ser encontrados em qualquer parte em qualquer grupo social. A educação deveria chegar a todos e formar a todos.

APROXIMAÇÕES E DISTANCIAMENTOS DE PESTALOZZI

APROXIMAÇÕES

Pensamentos que se aproximaram bastante do método Montessoriano. Educação com pensamento pautado na formação plena e com base religiosa, protestante, sua formação foi para a pregação, mas seguiu como vocação educar crianças entendendo como missão divina. A prática teórica seria das coisas para as palavras, trazendo uma pedagogia social, respeitando as vivencias sensoriais, sociais e emocionais o que se aproxima da BNCC nos dias de hoje. O lugar do professor estaria no sentimento poderoso de educar. Ele diz que o amor salva e o fazer de educar traria para o educador uma libertação divina. Aproxima-se de Comenius quando fala que a educação deveria ser universal, educação pratica por meio de vivencias e experiências.

DISTANCIAMENTOS

O elemento com foco religioso e de cunho emocional o distanciou de muitos outros teóricos.

APROXIMAÇÕES E DISTANCIAMENTOS DE MONTESSORI

APROXIMAÇÕES

Foi uma médica que ocupou o lugar de ícone feminino em uma profissão comum em sua época apenas aos homens; trouxe a possibilidade de educar a todas as crianças independente de suas limitações ou classe social. Ela preocupou-se em estar o mais próximo possível da criança e rompeu juntamente com outros a ideia de criança enquanto adulto em miniatura. Aproximou-se de Piaget quando dividiu em fases o desenvolvimento da criança, entendeu que crianças necessitavam de distribuição diferenciada de materiais e moveis nas salas de estudos.

Em seus trabalhos cita bastante Claparede e aproximou-se de todos aqueles autores que trouxeram uma prática pedagógica interacionista.

DISTANCIAMENTOS

A questão da necessidade de construção de autonomia pela criança apresenta-se enquanto conceito que a distanciou de muitos autores. Os processos de ensino em seu método são individualizados e preparados conforme a escolha de cada criança, algo que ainda nos dias atuais é distante do modo como a educação acontece.

APROXIMAÇÕES E DISTANCIAMENTOS DE CLAPAREDE

APROXIMAÇÕES

Acreditava plenamente na ciência e na razão, homem fruto do seu tempo. Percussores dos estudos do desenvolvimento infantil, entendimento diferenciado das fases de infância e juventude, ele acreditava que a escola poderia ser democrática. A escola deveria ser um espaço de criatividade e atividade constante, aproximando-se de Montessori; quanto mais a criança se expressa mais conheceria a si mesma e poderá desenvolver seus talentos. Seguiu os pensamentos de Pestalozzi. Para ele escola deve influenciar as crianças a se desenvolverem para descobrir seus lugares em sociedade. A ação da criança no mundo determinaria a forma como a criança apreende o mundo.

DISTANCIAMENTOS

Eminentemente um cientista, que trouxe trazer as pesquisas para o desenvolvimento infantil, sendo um dos precursores do desenvolvimento da criança. A base dele é biológica, diferenciada de muitos outros que falaram acerca da educação. Estabelece que o currículo mínimo deve ser estabelecido pelas escolas onde o essencial de escrever, ler e contar seriam ensinados como fundamentais. O jogo para ele é visto enquanto elemento para o desenvolvimento da criança para que esta compreenda o seu lugar no mundo e permita que encontrem o seu lugar social. Este fator o diferencia de outros. Quanto mais tempo o jogo estiver na escola melhor para a criança.


sábado, 15 de agosto de 2020

O HOMEM SOCIOTECNOLÓGICO

 

O HOMEM SOCIOTECNOLÓGICO


O HOMEM SOCIOTECNOLÓGICO:   UMA NOVA NOMENCLATURA DA INTERAÇÃO SOCIAL DIANTE A PANDEMIA

 

Antônio Washington de Oliveira Júnior

Lucélia dos Santos Bezerra

 

CENÁRIO DA PANDEMIA DO CORONAVÍRUS

A pandemia caracterizada pela disseminação mundial de uma nova doença infecto contagiosa. Esta classificação é utilizada quando uma epidemia apresenta uma grande escala de surto que atinge uma região e se propaga por vários continentes com transmissibilidade sustentada de sujeito para sujeito. Há mais de 121 países com casos declarados da infecção provocados pelo coronavírus.

Para a OMS (Organização Mundial de Saúde), o coronavírus não é definido como pandemia pela sua gravidade, mas pela disseminação geográfica rápida que o vírus apresenta. Os coronavírus pertencem a classificação de vírus que provocam infecções respiratórias que variam de um resfriado a um quadro mais grave como a Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS) e a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS).

O coronavírus são comuns em muitas espécies de animais, incluindo camelos, cães, gatos e morcegos, entre outros. Recentemente, em dezembro 2019, houve a transmissão de um novo coronavírus (SARS-CoV-2), onde foi identificado em Wuhan na China que provocou a COVID-19, sendo disseminada e transmitida pessoa a pessoa, com uma rápida capacidade contaminação.

Quanto a contaminação, cientistas ainda investigam vários fatores científicos relacionados a este vírus. Mas já é sabido, que a transmissão acontece através do contato com secreções contaminadas, como gotículas de saliva, espirro, tosse e catarro, onde deve-se evitar o contato pessoal próximo, como: toque, aperto de mão, abraço e manuseio com objetos de superfícies contaminadas, além dos contatos com boca, nariz e olhos.

Devido a toda essa explicação sobre a pandemia, provocada pelo vírus, e que não poderíamos deixar de esclarecer do que se trata tal enfermidade, e sua gravidade e características de contágio. Desta forma, facilita a compreensão das justificativas e argumentações que são usados no decorrer do texto que trata o assunto. Esse vírus que invadiu o meio de comunicação, sistema de saúde, instituições de educação, setor econômico mundial, trouxe muitos danos e prejuízos, onde o que iremos abordar em especial será, as possibilidades de criar, “diante a pandemia como pensar e desenvolver uma cultura de inclusão-diversidade com esse novo homem”.

DESENVOLVER UMA CULTURA TECNOLÓGICA DIANTE DA PANDEMIA

A Educação Escolar

A cultura da educação escolar e a tecnologia, não poderiam deixar de ser argumentados neste subcapítulo. As escolas além de lidarem com a divisão social e econômica, dentro da mesma proposta que é o educar, passaram também a reforçar as mesmas dificuldades, só que agora diante de um senário que envolve os bens de consumo e serviço, como por exemplo, produtos tecnológicos de alta qualidade assim como os de serviços.

Os serviços de fornecimento de internet e a qualidade dos aparelhos como computadores, celulares, entre outros, que foram os mais utilizados durante a comunicação entre as instituições de vários segmentos, principalmente o de ensino, que teve que lidar com a descoberta de questões socioeconômicas, de métodos de ensino a distância que necessitariam de instrumentos tecnológicos a qual não era acessível a todos, e que a democratização tecnológica era um equívoco.

Esse grande equívoco, custou caro para uma grande maioria, que até então eram “invisíveis”. Pais, filhos, funcionários e gestores, compartilhavam as mesmas dificuldades, a falta de aparelhos e conhecimentos tecnológicos. Essa realidade para alguns países não foi problema, mas para a maioria das escolas públicas que dependem da gestão do governo, estados e municípios do Brasil, foi um verdadeiro desastre.

A tecnológica ganhou espaço em vários setores, e sem dúvida esse segmento ganhará mais espaço nas escolas, onde já se foi pensado quando criaram laboratórios de computação para a capacitações de alunos, professores, funcionários e comunidade. Esses investimentos antes já feitos, com certeza serão ampliados e condicionados de forma interdisciplinar pelos professores. As aulas remotas passaram a ser uma nova alternativa, visto que, os atendimentos educacionais EAD (Ensino a Distância), já são autorizados por lei.

O artigo 32 § 4º que o ensino a distância pode ser utilizado como complementação da aprendizagem ou em situações emergenciais na educação fundamental. Já o § 11 do art. 36 da Lei nº 9.394, de 1996, alcança o ensino médio.

Por outro lado, o Art. 8º do Decreto 9.057, de 2017, regulamenta a LDB e autoriza a realização de atividades a distância no ensino fundamental, médio, na educação profissional, de jovens e adultos e especial, desde que autorizada pelas autoridades educacionais dos estados e municípios.

Acreditamos que se formou uma cultura tecnológica de massa, vistos os grupos invisíveis que há, embora o ser humano seja muito mais social do que tecnológico, ainda assim, as necessidades comunicativas presenciais são vistas como uma condição, mas humanizada e confiável. Não podemos deixar de considerar, que ainda as estratégias no que concerne a inclusão tecnológica nos grupos de pessoas com deficiência; requerem muito mais dos mediadores do que as maquinas, sendo ainda um grande desafio a ser resolvido.

O Homem Sociotecnológico

Ainda se discute a nível acadêmico, sobre as novas gerações e suas habilidades, e também problemas gerados por esta tecnologia, onde se apresenta um homem “sociotecnológico”, integrado a uma relação tecnológica que não descaracteriza o caráter de ser social, mas sim de um ser que precisa da tecnologia para se socializar com ele mesmo e com o mundo.

O homem sociotecnológico, termo cunhado pelos autores deste artigo, traz uma reflexão sobre a ressignificação de valores e de práticas vividas durante essa pandemia, enquanto se discutia os danos que a tecnologia estava causando, onde de um lado educadores “fornados” em práticas que foram idealizadas para grupos homogêneos onde não se considerava as diversidades, ou seja, uma formação em fornalhas.

 Neste momento histórico que vivemos, vimos que a socialização se dá hoje em sua maioria, por meio de comunicação das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs), essa expressão refere-se à comunicação por meios de fios, cabos, ou sem fio, gerando a moderna tecnologia da informação de hoje. As TICs consistem de vários meios tecnológicos usados para tratar a informação e auxiliar na comunicação, onde se insere o hardware de computadores, redes, telemóveis.

Sendo assim, as TIC consistem em TI como outras formas de transmissão das tecnologias que medeiam os processos informativos e comunicativos entre as pessoas. Podem ser compreendidas como um conjunto de recursos tecnológicos integrados, que facilitam, usando os hardware, software e telecomunicações, das pesquisas científicas, no processo de ensino/aprendizagem, entre outros segmentos.

INCLUSÃO-DIVERSIDADE NA ESCOLA DIANTE A PANDEMIA 

O grande desafio para os professores em tempos de pandemia é conseguir efetivar um trabalho que venha a contemplar a todos, diante das barreiras do distanciamento social e usando os meios de tecnologia.

Quando se pensa na diversidade na escola vem em mente todos os grupos sociais sejam estes diversos por fatores culturais, socioeconômicos ou por elementos decorrentes das limitações físicas e/ou mentais, mencionamos o caso das pessoas com necessidades educacionais específicas, aquelas com transtornos mentais, deficiências ou transtornos.

Acrescente-se aos elementos supracitados ainda o fato de que, muitos dos alunos de grupos especiais têm esta condição e também as dificuldades socioeconômicas que contribuem para sua exclusão, uma vez que não detivessem nenhuma dificuldade física ou mental salutar, mas tendo a questão financeira enquanto fatalidade latente em suas vidas. O elemento econômico por si só já dá conta de excluir socialmente o suficiente para dificultar e, por vezes, chegar a ter forças de impedir a efetivação de uma educação de qualidade.

Falemos da escola pública na qual os alunos em sua maioria tem acesso limitado aos recursos tecnológicos, telefone celular e internet de qualidade, não é acessível a todos, nem a uma parcela considerável. Os jovens, embora nativos digitais e tendo facilidade para se adaptar, não tem o suficiente para conseguir assimilar o que é necessário para que aprendizagem aconteça com sucesso.

A própria capacidade de concentração para se manter atento a um formato digital de educação ainda não está suficiente trabalhada, aí precisamos lembrar que a educação à distância não é modalidade adaptável a todos. Acreditamos que permanecerá sendo, uma forma que se apresenta enquanto alternativa para o ensino e aprendizado, a qual alguns se adaptam e outros não.

No entanto, em tempos de Pandemia como o que estamos vivendo, algo precisa ser feito para que os danos não sejam maiores para os alunos, e a única forma encontrada pelas instituições de ensino foi a educação a distância com os recursos tecnológicos de que dispomos na atualidade, vídeo aulas, reuniões em salas virtuais, chats entre outras formas que a criatividade permitir.

Mas existe um grande grupo à margem para o qual, tais formas não conseguem amenizar os dados provocados pelo momento atual, tratamos daqueles já marginalizados socialmente, aqueles que não tem internet rápida, não tem computador ou celular disponível para acesso nos horários em que os professores e turmas entram nas salas virtuais, não tem, no caso das crianças, alguém que os auxilie na execução das atividades propostas pelos professores.

Estes alunos estão sendo prejudicados de maneira grandemente significativa face aos demais que tem um acesso melhor aos meios de comunicação de modo geral. Ou seja, a inclusão sempre existiu para aqueles que detém os recursos sociais para ser incluídos. As pessoas com deficiências que possuem uma boa condição socioeconômica, sentem suas dificuldades e limitações de modo mais leve que aquelas menos favorecidas.

Salutar dizer que para pessoas com deficiências físicas a tecnologia sempre esteve a seu favor, recursos como, por exemplo, programas de computador que fazem leituras de tela, leitores de texto, escritores auditivos entre outros; tornam possível a uma pessoa com deficiência visual ou até totalmente cega, conseguir concluir seus estudos, se formando e sendo empregado, muitas vezes em cargos de destaque na sociedade; dando como exemplo, os inúmeros nomes que já temos na área jurídica com deficiência física e visual.

O mesmo se aplica as pessoas Surdas, uma vez tendo acesso aos meios e profissionais necessários para auxilia-los, muito pode ser alcançado em sua educação e adequação ao mercado de trabalho.

Por isso argumentamos que o maior desafio é amenizar as dificuldades daqueles socialmente favorecidos, este é o desafio de todos os tempos e, em especial para este momento que estamos vivenciando. A reflexão necessita estar pautada em maneiras de amenizar os danos sofridos por aqueles que tem menos em todos os sentidos.

Para todos os envolvidos na educação, é dever humano e social pensar juntos sobre o que fazer, para que os alunos possam recuperar o período em que não estiveram fisicamente na escola, formas de despertar seus interesses e também de mostrar a eles que ainda é possível aprender, que existem maneiras para conseguir adquirir o que não tiveram durante o isolamento e continuar assimilando, ressignificando suas limitações de qualquer natureza, dificuldades e exclusões e seguindo rumo aos seus objetivos, rumo ao direito de estar e viver no mundo, ao direito de ter e de realizar seus sonhos.


CONHECENDO OS TEÓRICOS: COMENIUS, PESTALOZZI, MONTESSORI E CLAPAREDE

  CONHECENDO OS TEÓRICOS:  COMENIUS, PESTALOZZI, MONTESSORI E CLAPAREDE   Lucélia dos Santos Bezerra     APROXIMAÇÕES E DISTANCIAMEN...